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-Andrea
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Falar de Bossa Nova ao falar de Brasil pode soar clichê, mas não nas mãos de Pat Phillips, produtora musical de alto calibre aqui em NY. A paixão confessa pela música brasileira, além da vontade de estabelecer uma “casa” para o estilo aqui na cidade, foi o que a levou a iniciar no ano passado o BossaBrasil Festival, que retorna este ano ao tradicional clube Birdland (315 West 44th Street).
Aproveitando o sucesso do ano passado, Pat trouxe as apresentações de Cesar Camargo Mariano (presente também na primeira edição), João Bosco e saxofonista americano Harry Allen. Os 150 lugares foram lotados tanto por brasileiros nostálgicos quanto por americanos e outros não-brasileiros de gosto refinado .
A quase uma hora e meia de show da estréia na terça-feira passou como se fossem cinco minutos, tão envolvente era a atmosfera que emanava do palco. Didaticamente, Cesar Camargo Mariano abriu a noite com quatro músicas do inicio dos anos 60, quando o gênero era baseado nos trios. Acompanhavam-no Sérgio Brandão no baixo e Jurim Moreira na bateria. Na sequência, após as primeiras notas de “Ela é carioca”, Harry Allen juntou-se ao trio, caminhando elegante e macio. Ao seu embalo, se eu fechasse os olhos, podia ver imagens de um Rio que nunca presenciei, tranquilo e glamourizado.
Em linha com o ambiente intimista do clube, com todas suas mesas próximas ao palco, Cesar Camargo Mariano contou de sua amizade com Pat, para em seguida introduzir João Bosco falando de quando se conheceram pela primeiravez, quando o musico mineiro foi levar ao pianista uma composição na esperança de alavancar sua então inciante carreira. João Bosco disparou “Bala com bala”, passando por outros sucessos de sua carreira, até culminar com “Incompatibilidade de gênios” no bis.
Pat garante que o festival continuará no ano que vem, no mesmo lugar. Ela também adianta que a terceira edição vai contar com Rosa Passos. A produtora, ativa no mundo do jazz há mais de 25 anos, tem o privilégio de dizer que tornara-se amiga pessoal de Tom Jobim, tendo produzido seu concerto no Carnegie Hall em 1989. Apesar de sua preferência por nomes já fixados no panteão do universo musical brasileiro, expressa também interesse em trabalhar com artistas novos e emergentes. “Ainda tenho que pesquisar melhor quem está por aí”. Com aliados do porte de Pat Phillips, o estilo mais consagrado do Brasil tem lugar assegurado nas melhores casas de show de Nova York.
O BossaBrasil Festival tem mais duas apresentação no Birdland neste sábado, às 8:30 e 11:30 da noite.
Photo by Al Berrios
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Tagged: Manhattan, Música/Music, Midtown West
Nada como os dias amenos da primavera em NY! Esta semana finalmente o temperatura agrádavel se estabilizou, e as áreas externas do restaurantes vão ficando mais lotadas.
Foi na mesinha da calçada do Nisos (176 8th Ave. at 19th St.), restaurante mediterrâneo em Chelsea, que conheci o Léo, garçom em seu segundo dia de trabalho na quinta-feira. O tempo todo ele foi super gentil e solícito comigo, mas só descobri que era brasileiro no final da refeição, quando perguntei se ele era grego pelo entusiasmo com que descrevia as sobremesas. Apostaria nisso antes de imaginar que ele fosse na verdade de Salvador, de estatura média, pele clara, cabelo preto e sobrancelha farta. Morando há cinco anos aqui, ele não tem vontade nenhuma de voltar a morar no Brasil, apesar de ir visitar algumas vezes.
Com autoridade de quem conhece o menu há anos, Léo recomendou-me o prato de que eu não me arrependi nem por um segundo: red snapper (dentão vermelho, presente apenas no Norderste do Brasil) com batatas cozidas, aspargos, cogumelos portobello e molho de tomate-cereja. Muito saboroso. Tanto o meu prato como o do meu marido, medalhão de filé mignon e fetuccini com brócolis, ainda sobraram para o almoço do dia seguinte. As escolhas de peixes são bem variadas, contando também com as pescas do dia, cujas amostras ficam em uma vitrine com gelo na parte interna do restaurante.
O menu de sobremesas também é bem amplo, mas não cheguei a pedir pois já estava satisfeita. Entre as opções, o tradicional baklava, e também outros nomes que não conhecia, como o galaktoboureko e o loukoumades. (Dica: se você estiver sendo servida pelo Léo avise que você é brasileiro…você nunca sabe o que te aguarda…). Os preços são justos. Nossa conta, incluindo bebida, deu $53 (excluindo gorjeta). Além disso, o restaurante tém um ótimo menu de entrega, com muitas opções de sanduºiches e wraps a $9, e pratos principais a $12.
Para os fãs de dança, o Nisos fica estrategicamente localizado entre dois dos melhores teatros que apresentam companhias contemporâneas, o Joyce Theater e o Dance Theater Workshop, sendo uma parada conveniente antes ou depois do espetáculo.
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Tagged: Brasileiros/Brazilians, Chelsea, Comida/Food, Manhattan
Tem samba e rebolado? Tem! Tem muito gingado? Tem! Tem sensualidade? Tem! Mas também tem diferentes facetas que projetam a imagem do país internacionalmente e dialoga com as percepções que os estrangeiros têm da nossa cultura. No último mês, os nova-iorquinos puderam conferir apresentações de duas companhias com a marca do trópicos: Grupo Corpo, diretamente de Minas Gerais e o DanceBrazil, sediado nos Estados Unidos.
Tanto o grupo brasileiro de dança contemporânea mais aclamado da atualidade, sob o comando de Rodrigo Pederneiras, quanto a companhia de raízes na capoeira, fundada pelo baiano Jelon Vieira, buscam inspiração nas múltiplas características da cultura brasileira para elaborar suas coreografias. Ambos foram calorosamente aplaudidos por platéias lotadas, mas o uso que cada uma faz dos elementos dessa identidade é bem distinto.

Cassilene Abranches em Breu, foto de Julieta Cervantes
No Brooklyn Academy of Music (BAM), o Corpo apresentou um duplo programa com Benguelê, uma peça que já integra o repertório há 10 anos e trata justamente das origens e influências do povo brasileiro, misturando saltos de capoeira com a levada do congado, bem amalgamados pelo vocabulário consolidado pelo coreógrafo, ancorado na técnica do ballet clássico. Em movimentos que evocam a herança africana, os bailarinos andam com o torso dobrado sobre as pernas e os braços caídos ao longo do corpo, lembrando o andar de primatas. Outras vezes, flexionam o joelho e mergulham ao chão, alternando a perna de apoio, assemelhando-se a répteis. Embalando o contínuo ir e vir dos bailarinos, a empolgante trilha sonora composta por João Bosco especialmente para a dança.
Na segunda parte do espetáculo foi apresentada Breu, que estreou em 2007. Nela, Rodrigo explora mais intensamente novos planos e configurações dos 21 integrantes do grupo, com muitos rolamentos no chão, corpos trombando-se, jogando-se, pulsando. Os quadris também se mexem, mas num rebolado sombrio e desafiador. Desta vez, o som pesado mas ao mesmo tempo rico em referências, como o frevo, ficou a cargo de Lenine. Terno ou violento, explosivo ou reflexivo, Rodrigo sintetiza a energia (ou energias) do Brasil, criando uma obra complexa, que abre para platéia diferentes camadas de leitura. Esse efeito era visível, por exemplo, no intervalo, quando o público discutia ávido as suas interpretações e imitava os movimentos que acabavam de descobrir.

Dance Brazil em Retratos da Bahia, de 2005
No Symphony Space, o DanceBrazil estreou a coreografia Ritmo, dividida em dois atos. No primeiro, “The Dance”, os bailarinos começavam deitados em círculo e aos poucos iam inciando movimentos que pareciam um aquecimento, lentamente esticando os bracos, as costas, e depois executando contrações abdomnais típicas de técnicas contemporâneas, lembrando espasmos, à medida que ia se colocando de pé. Os 11 membros alternavam-se dançando em grupo, em duos e trios ao som da música composta por Tote Gira, um tanto monótona com um repetitivo toque de um instrumento que soava como um xilofone, misturado ao barulho de mar .
Na segunda parte, “The Capoeira”, os movimentos e as músicas tornaram-se mais vigorosos e as formações mais claras. Em um momento, os homens entravam ao som de samba em pequenos grupos no palco, formando círculos e diagonais num requebrado malemolente. Num momento seguinte, eles juntavam-se em um bando e desafiavam-se em saltos precisos e vertiginosos, exibindo-se um a um, arrancando coreografadas expressões de desdenho dos outros integrantes do grupo e espantadas exclamações de apreensão da platéia.
A única integrante mulher do grupo, Camila Santo Freitas (que por sinal possui técnica rigorosa), dançava quase sem distinção de gênero no primeiro ato, misturando-se aos pequenos grupos que se formavam e dissipavam, mas na segunda parte surgiu mais como um brinquedo dos homens, sendo arremessada e revirada à exaustão por dois dançarinos. Mais tarde, entrou para dançar um samba sensual, provocando seus parceiros com seu remexer de quadris, abandonando-os sozinhos no final do trio. A coreografia de Jelon não dá muito espaço a questionamentos; pareceu-me antes de tudo um veículo para ampliar o alcance dessa arte tão cara à Bahia. Uma coisa que não fica muito clara é por que, se a proposta é fundir luta e dança, comosugere o programa, cada um dos atos são nomeados separadamente “a dança” e “a capoeira”, apresentando uma divisão restritiva entre uma e outra?
Um dado interessante é que ambas as apresentações atraíram um público diversificado, tanto etnicamente quanto etariamente. Essas características são algo com que grandes companhias tradicionais da cidade como as de ballet clássico têm lutado para conseguir, à medida que vêem seu público, concentrado na classe média alta branca, envelhecendo e não se renovando. Cada um a seu modo, Grupo Corpo e DanceBrazil mostraram que há muita receptividade e ainda há muito a ser explorado neste canto do mundo pela dança brasileira.
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Tagged: Brasil, Brooklyn, Dança/Dance, Manhattan
“Brasil também é coração!”, exclama Fernanda Lacerda, expandindo os braços, explicando por que não optou pelos tradicionais – e desgastados – verde e amarelo para distinguir o brasileiríssimo Maria Bonita, salão e spa fundado por ela em 2003. Ao contrário das cores predominantes em outros empreendimentos de nossos conterrâneos por aqui, Fernanda montou um moderno espaço branco com tons de vermelho e preto, na descolada area do Soho, onde atende modelos e clientes sofisticadas, público geralmente em meio a passeio ou compras pelas famosas lojas da região.
Quando Fernanda terminou a faculdade de Turismo em New Orleans, mudou-se para Nova York com a certeza de que queria abrir um negócio próprio. A escolha pela área de beleza não foi muito difícil, acostumada que estava a brincar pelo salão que a avó, imigrante italiana, havia aberto no Brasil na cidade de Uberaba.
Mesmo com aproximadamente 80% de clientela americana, o serviço mais procurado é o “Brazilian Wax” ($48), nossa famosa depilação da virilha. A demanda é tanta que obrigou Fernanda a abrir uma quarta sala para atender as clientes,
dividindo ao meio seu escritório no andar de baixo. “Deveria ter feito duas salas logo de uma vez, não sei como vou fazer agora no verão”, preocupa-se, com uma ponta de orgulho. O salão também oferece uma ampla gama de serviços, de escova progressiva a drenagem linfatica, tecnicas dificeis de achar nos salões americanos. O atendimento é impecável e as instalações são super confortáveis. Uma cliente americana que estava lá pela primeira vez supreendeu-se: “It’s nice here!”, disse espontaneamente para o cabeleiro.
O investimento inicial para o empreendimento foi de $150 mil. Aos poucos, a rua, cujo movimento terminava na quadra anterior, foi ganhando mais lojas e cafés, atraindo consumidores. Hoje o salão gera $75 mil por mês em negócios. A equipe de 14 pessoas é formada quase na maioria por brasileiros, com exceção de uma dominicana. “Não adianta colocar russa pra fazer uma depilação brasileira, até o jeito de falar com as pessoas é diferente”, afirma, indo (felizmente) na contramão da maioria dos restaurantes étnicos nesta cidade.
Fernanda está sempre inventando pacotes diferentes, como o relaxante “Saint Patrick’s day feet rehab”, incluindo esfoliação, máscara, banho de parafina e uma caipirinha, para combinar com o verde da celebração ($39). Versátil, ela dá uma mão em tudo o que é necessário no dia a dia do salao. Enquanto conversavamos, ao mesmo tempo ela atendia comerciantes vizinhos, fechava conta e respondia duvidas de clientes e buscava materiais para os profissionais. Para o futuro, planeja abrir uma segunda unidade, na área de Midtown.
Vale a pena a visita tanto se você mora aqui quanto se estiver só de passagem, para fazer um agrado nos pés após uma semana intensa de trabalho ou para dar um caprichada no visual antes de ir para uma festa. Os preços são equivalentes aos salões do mesmo padrão, mas o serviço sem dúvida é especial.
Website: www.mariabonitany.com
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Tagged: Beleza/Beauty, Brasileiros/Brazilians, Manhattan, Salões/Salons, Soho
Esta que vos fala
Eu moro na região metropolitana de Nova York, que engloba também cidades nos estados de New Jersey e Connecticut (área conhecida como tri-state). Minha cidade (Jersey City, NJ) é bem perto de Manhattan, da porta da minha casa até o centro da ilha levo 25 minutos. Pra falar a verdade, chego mais rápido do que muita gente que mora nos “boroughs”. Mas isso não vem ao caso.
O importante é que vocês saibam que às vezes usarei as palavras Nova York ou Manhattan de maneira intercambiável, ou então quando me referir à uma região específica saibam que também estou falando de Nova York.
Pronto, acho que agora já dá pra começar a contar o que acontece por aqui! Espero receber comentários e sugestões de vocês!
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