Nada como os dias amenos da primavera em NY! Esta semana finalmente o temperatura agrádavel se estabilizou, e as áreas externas do restaurantes vão ficando mais lotadas.
Foi na mesinha da calçada do Nisos (176 8th Ave. at 19th St.), restaurante mediterrâneo em Chelsea, que conheci o Léo, garçom em seu segundo dia de trabalho na quinta-feira. O tempo todo ele foi super gentil e solícito comigo, mas só descobri que era brasileiro no final da refeição, quando perguntei se ele era grego pelo entusiasmo com que descrevia as sobremesas. Apostaria nisso antes de imaginar que ele fosse na verdade de Salvador, de estatura média, pele clara, cabelo preto e sobrancelha farta. Morando há cinco anos aqui, ele não tem vontade nenhuma de voltar a morar no Brasil, apesar de ir visitar algumas vezes.
Com autoridade de quem conhece o menu há anos, Léo recomendou-me o prato de que eu não me arrependi nem por um segundo: red snapper (dentão vermelho, presente apenas no Norderste do Brasil) com batatas cozidas, aspargos, cogumelos portobello e molho de tomate-cereja. Muito saboroso. Tanto o meu prato como o do meu marido, medalhão de filé mignon e fetuccini com brócolis, ainda sobraram para o almoço do dia seguinte. As escolhas de peixes são bem variadas, contando também com as pescas do dia, cujas amostras ficam em uma vitrine com gelo na parte interna do restaurante.
O menu de sobremesas também é bem amplo, mas não cheguei a pedir pois já estava satisfeita. Entre as opções, o tradicional baklava, e também outros nomes que não conhecia, como o galaktoboureko e o loukoumades. (Dica: se você estiver sendo servida pelo Léo avise que você é brasileiro…você nunca sabe o que te aguarda…). Os preços são justos. Nossa conta, incluindo bebida, deu $53 (excluindo gorjeta). Além disso, o restaurante tém um ótimo menu de entrega, com muitas opções de sanduºiches e wraps a $9, e pratos principais a $12.
Para os fãs de dança, o Nisos fica estrategicamente localizado entre dois dos melhores teatros que apresentam companhias contemporâneas, o Joyce Theater e o Dance Theater Workshop, sendo uma parada conveniente antes ou depois do espetáculo.
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“Brasil também é coração!”, exclama Fernanda Lacerda, expandindo os braços, explicando por que não optou pelos tradicionais – e desgastados – verde e amarelo para distinguir o brasileiríssimo Maria Bonita, salão e spa fundado por ela em 2003. Ao contrário das cores predominantes em outros empreendimentos de nossos conterrâneos por aqui, Fernanda montou um moderno espaço branco com tons de vermelho e preto, na descolada area do Soho, onde atende modelos e clientes sofisticadas, público geralmente em meio a passeio ou compras pelas famosas lojas da região.
Quando Fernanda terminou a faculdade de Turismo em New Orleans, mudou-se para Nova York com a certeza de que queria abrir um negócio próprio. A escolha pela área de beleza não foi muito difícil, acostumada que estava a brincar pelo salão que a avó, imigrante italiana, havia aberto no Brasil na cidade de Uberaba.
Mesmo com aproximadamente 80% de clientela americana, o serviço mais procurado é o “Brazilian Wax” ($48), nossa famosa depilação da virilha. A demanda é tanta que obrigou Fernanda a abrir uma quarta sala para atender as clientes,
dividindo ao meio seu escritório no andar de baixo. “Deveria ter feito duas salas logo de uma vez, não sei como vou fazer agora no verão”, preocupa-se, com uma ponta de orgulho. O salão também oferece uma ampla gama de serviços, de escova progressiva a drenagem linfatica, tecnicas dificeis de achar nos salões americanos. O atendimento é impecável e as instalações são super confortáveis. Uma cliente americana que estava lá pela primeira vez supreendeu-se: “It’s nice here!”, disse espontaneamente para o cabeleiro.
O investimento inicial para o empreendimento foi de $150 mil. Aos poucos, a rua, cujo movimento terminava na quadra anterior, foi ganhando mais lojas e cafés, atraindo consumidores. Hoje o salão gera $75 mil por mês em negócios. A equipe de 14 pessoas é formada quase na maioria por brasileiros, com exceção de uma dominicana. “Não adianta colocar russa pra fazer uma depilação brasileira, até o jeito de falar com as pessoas é diferente”, afirma, indo (felizmente) na contramão da maioria dos restaurantes étnicos nesta cidade.
Fernanda está sempre inventando pacotes diferentes, como o relaxante “Saint Patrick’s day feet rehab”, incluindo esfoliação, máscara, banho de parafina e uma caipirinha, para combinar com o verde da celebração ($39). Versátil, ela dá uma mão em tudo o que é necessário no dia a dia do salao. Enquanto conversavamos, ao mesmo tempo ela atendia comerciantes vizinhos, fechava conta e respondia duvidas de clientes e buscava materiais para os profissionais. Para o futuro, planeja abrir uma segunda unidade, na área de Midtown.
Vale a pena a visita tanto se você mora aqui quanto se estiver só de passagem, para fazer um agrado nos pés após uma semana intensa de trabalho ou para dar um caprichada no visual antes de ir para uma festa. Os preços são equivalentes aos salões do mesmo padrão, mas o serviço sem dúvida é especial.
Website: www.mariabonitany.com
Categories: New York
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